Por Hudson Eygo
Seu objetivo é abrir os olhos da
Presidenta Dilma Rousseff, e consequentemente do país, para o alto
índice de suicídios que vem acontecendo entre o povo Iny (Karajá e
Javaé).
Segundo Narubia, a Fundação Nacional do Índio (Funai),
órgão responsável pela assistência e garantia de acesso a serviço e
direitos do índio no Brasil desde sua fundação em 1967 pela lei nº
5.371, e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) têm fechado
os olhos para essa realidade e, em outros tempos, quando o caso chegou a
ser noticiado pelas mídias televisivas, o órgão fez um prévio
diagnostico e interviu com medidas paliativas, que, de longe,
correspondiam à real necessidade daquele povo.
Em meio a seu
manifesto, a jovem Narubia Werreria que é acadêmica de direito da
Universidade Federal do Tocantins (UFT) relata que “pensar sobre o
suicídio que vem acontecendo em meio ao nosso povo me deixa paralisada,
falar e não encontrar as lágrimas no rosto parece impossível. Não sei se
saberei descrever nossa dor, nem o quanto esses últimos anos
estão sendo aterradores para nós. Queria manchar essa tela de sangue,
talvez o nosso sangue clame mais por socorro que minhas palavras!”.
Seria
uma epidemia na Ilha? - Se é que o termo pode ser empregado nessa
situação - Não se sabe, mas o número já chega a 3 óbitos e 1 tentativa
de suicídio só em 2014, numa população de aproximadamente 6 mil
indígenas em toda a Ilha do Bananal. Narubia reforça que “os órgãos
competentes nada fizeram de REAL E EFICAZ para sarar nosso povo, estamos
cansados de reunião que não produz, cansados de gastar tanto sol, sem
nada iluminar.”
A situação de desassistência e luta por igualdade
e asseguração de direito dos indígenas no país não é nova. Em Outubro
de 2013 a Organização não Governamental (ONG) Survival Internationalde
São Paulo (referência nacional na defesa pelos direitos dos indígenas)
denunciou as altas taxas de suicídio entre índios Guaranis. Segundo a
entidade, os Índios têm se sentindo inferiorizados ao tentar recuperar
uma pequena parte de seus territórios originais, mas frequentemente,
enfrentam a resistência violenta dos grandes proprietários de terras e
dos interesses do governo que preza o desenvolvimento financeiro dos
pais a qualquer custo.
“Nós não temos mais segurança. O
alcoolismo, drogas e prostituição invadiram nossas aldeias. O
atendimento básico a saúde e educação são precárias. A assistência em
saúde mental não consegue cuidar dos atuais transtornos de nossos jovens
e nós não sabemos lidar com esses problemas que vieram com a sociedade
não nativa (não indígena).” Em suas palavras Narubia, coloca os
prejuízos desse choque cultural resultante do contato entre seu povo e o
“não indígena”.
Em seu texto, encerra o manifesto clamando por
igualdade, ao dizer que “queremos viver. Não queremos apenas resistir,
queremos existir com dignidade”. Ela deixa expresso o desejo e vontade
de um povo que nada mais quer que respeito, dignidade e asseguração de
todos os seus direitos.
A carta aberta deixa claro o caráter de
extrema urgência do povo Iny (Karajá e Javaé) em obter uma solução para o
seu problema, que abrange desde questões de assistência básica em saúde
(já que toda vez que um índio adoece precisa se deslocar para o
município mais próximo por não ter assistência médica), como
profissionais capacitados, atuando na promoção de saúde indígena. Hoje, a
região da Ilha do Bananal conta com o apoio de uma equipe
multiprofissional que atual no controle epidemiológico, medida essencial
para a promoção de saúde desse povo, mas não são disponibilizados
profissionais que atuem no tratamento e assistência dessas aldeias in
loco, e sempre que necessário, o índio precisa se deslocar de sua tribo
para ir à cidade mais próxima, o que claramente aumenta os gastos e a
morosidade no tratamento do índio.
Diante dessa gama de questões,
a contribuição de cada um ao assinar e apoiar uma petição publica pode
fazer toda a diferença na vida desses jovens indígenas. O que para você
pode não ser nada além de alguns cliques, para esse povo pode ser a
garantia de uma vida.
Assine a petição




0 comentários:
Postar um comentário