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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

AUTOCONTROLE?

Sofrimento pela falta de autocontrole

Você está discutindo com alguém e seu nível de estresse está elevado. E quando percebe você já falou aquilo que não deveria ter dito. Você chegou a pensar antes de falar, mas o autocontrole não foi acionado a tempo e pronto: você já disse!
Momentos depois você conclui que poderia ter dito de forma mais adequada… e então a consequência: a culpa. Sentimento que faz com que o problema se torne ainda maior.
Comer em excesso, fumar demasiadamente e fazer compras compulsivamente também podem estar relacionados com a falta de autocontrole. Constantemente recebemos em consultório pacientes falando sobre seu sofrimento relacionado à falta de autocontrole, questionando como devem agir diante de situações difíceis como essas, que parecem ser mais fortes que si.

Como ter autocontrole

Um dos fatores para uma terapia efetiva é a capacidade do paciente em colocar seus comportamentos sob seu próprio controle. O autocontrole é um padrão de comportamento que é adquirido ao longo da vida, contudo a terapia orienta o cliente a se expor a novas experiências, modificando as consequências do comportamento do individuo. Controlar as palavras e as atitudes está muito além do que apenas planeja-las, mas também experimenta-las. Acima de tudo ter autocontrole é identificar seus comportamentos, conseguir observa-los e perceber o efeito sobre os outros.

Porque as pessoas não se importam em não ter autocontrole

Obter ganhos com a falta de autocontrole também é comum em diversas áreas da vida. Muitas vezes as pessoas elogiam os indivíduos que criticam outras pessoas ou que falam em excesso. Ir ao bar fumar e beber pode fazer com que o individuo obtenha ganhos sociais. Fazer compras e obter ganhos, como o alivio e a sensação de prazer, são exemplos da relação autocontrole e consequência.
Muitas pessoas não sabem como agir ou como falar sobre suas vontades. Dessa forma fica mais difícil para identificar as consequências de suas atitudes. A distância e a falta de interesse das pessoas a sua volta faz com que o individuo tenha efeitos motivacionais muito difíceis e causadores da tristeza.
Saber se relacionar e se controlar não tem apenas uma função de julgamento do seu desempenho, mas também do relacionamento relativo ao quadro social. No momento em que seu autocontrole está violado, as criticas se tornam maiores, a distância de algumas pessoas queridas e brigas entre elas são motivos para o individuo se deprimir. Neste momento, é importante o individuo perceber a necessidade de mudanças. E que o primeiro passo é adquirir autocontrole.

Terapia para ter mais autocontrole

Na terapia diversas técnicas são usadas para que o individuo aprenda a desenvolver o comportamento de autocontrole. O terapeuta sempre oferecerá formas de mudar a execução de um comportamento para que o cliente obtenha consequências positivas. Aprender a obter ganhos mesmo com o autocontrole e perceber os ganhos sociais e consequências de prazer em outras áreas da vida são assuntos que podem ser desenvolvidos ao longo do processo terapêutico.
Controlar a si mesmo é conhecer novas formas de ações, visualizar de fora como agir de forma positiva dentro de suas relações.
Autora:  (Psicóloga CRP 06/109800)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

POR QUE AS PESSOAS MENTEM?

A verdade… ou a Mentira
Muitas vezes durante o dia nos pegamos contando pequenas mentiras, ou percebemos que algumas pessoas mentem muito: contam histórias mirabolantes ou histórias totalmente coerentes. Porém, após um tempo, descobrimos a verdade.
Perceber que uma pessoa está mentindo pode ser uma tarefa difícil. Muitas vezes o mentiroso acredita em sua própria mentira. O que geralmente se ouve no consultório: “eu não minto nunca”, ou “me senti muito triste por perceber que esta pessoa que eu confiava tanto mentiu”. Isso é muito mais comum do que imaginamos.

Por que a pessoa está mentindo para você

O primeiro passo para entender o comportamento de alguém que mente é entender o porquê dessa pessoa estar mentindo e qual a razão para ela se comportar dessa forma. A mentira é um tema de interesse para diversas áreas da sociedade.Frequentemente programas de TV tentam identificar pessoas que mentem, e na ciência como fonte de pesquisa, que objetivam responder o motivo pelo qual o ser humano mente.
Segundo Pereira, Brasileiro, Brachi e Albuquerque (2006) há muito tempo cientistas pesquisam sobre a mentira. Este comportamento possui diversas explicações metodológicas. E, em algumas dessas pesquisas, cientistas colocaram na prática a observação e efeito da mentira no organismo dos seres humanos.
Segundo Sidman (1999), existem agentes de controle como educação, religião, governo e sociedade. Esses agentes controlam os comportamentos dos indivíduos aumentando a probabilidade de mentir diante de algumas situações, ou de falar a verdade, pois quando nos sentimos controlados por algo nos limitamos a ser verdadeiros por medo de uma possível ameaça.
Os indivíduos que na sociedade se inserem controlam os comportamentos uns dos outros, gerando consequências boas ou ruins. São essas consequências que diante da sensibilidade do indivíduo aumentam ou não a possibilidade de acontecer novamente, ou seja, um comportamento reforçado haverá maiores possibilidades de ser mantido, e um comportamento punido ou reforçado negativamente obtém menores chances de se manter no ambiente, considerando que o indivíduo possui uma história de vida e uma história de relação com o ambiente.
Diante dessa relação, os indivíduos aprendem novas formas de se manter no ambiente de maneira segura, sem coerção. Entretanto, esta forma não é a forma mais segura. E obter reforçadores positivos não é sinônimo de comportamentos adequados ou assertividade do sujeito. Sendo assim, o indivíduo busca várias formas de evitar “problemas” ou fugir deles.
A mentira pode ter algumas explicações, como por exemplo, uma forma de fugir de um controle, de alguém que ameaça e dá bronca; ou uma forma de fazer com que o indivíduo sinta-se melhor diante de suas fraquezas. Algumas consequências desses comportamentos geram subprodutos (sentimentos). Ou seja, o sujeito que obtém reforçadores negativos, sendo eles broncas e castigos, provavelmente emitirá comportamentos de esquiva ou fuga. Estes comportamentos poderão ser mantidos se o agente controlador continuar emitindo comportamentos que punam o sujeito.
Ao longo do tempo essas consequências podem fazer o sujeito medroso e ansioso. Então, onde a mentira ocorre para que o sujeito evite punição, pode-se nomear como uma forma de “contra controle” para o sujeito que tenta incessantemente cessar esta forma de “choque” em comportamentos.
Quando a ideia é facilitar a vida, pode-se entender como as contingências da vida de um sujeito na sociedade podem ter consequências diversas. Neste caso a mentira está relacionada com as contingências sociais e o controle, pois diante do aprendizado que o indivíduo agrega ao longo de sua vida, controlar pode se tornar uma das funções de suas relações com o ambiente.

Explicações para uma mentira

A mentira pode ser relacionada a algumas situações em que a pessoa percebe estar sendo ameaçada por outra. Essa ameaça pode ser bronca, um castigo, ou a retirada de algo bom na vida daquela pessoa. Podemos exemplificar com a ameaça de uma namorada ao namorado: “se você sair com seus amigos hoje a noite eu irei para a balada com minhas amigas”. Dessa forma o namorado se sentirá ameaçado e responderá “tudo bem, vou ficar em casa”, porém o namorado está mentindo e irá para um bar com os amigos depois que a namorada já não poderá mais encontrá-lo. Neste caso, o namorado evitará o término do namoro e ainda conseguirá fazer o que deseja.
A criança quando ameaçada também agirá de forma defensiva, como exemplo a mãe diz: “se você não comer frutas na escola, não ganhará aquele presente”, e então a criança na hora do intervalo pega sua maçã e joga no cesto de lixo. Essa criança evitará bronca e receberá o presente esperado. É evidente que a maçã não é nada atrativa no intervalo da escola.
A mentira é um objeto de estudo, na qual é tratada como algo errado, pois gera consequências negativas na vida do individuo, contanto que este seja descoberto. Se o individuo mantém suas mentiras em sigilo, provavelmente não será punido, mesmo sabendo que mentir pode trazer consequências negativas. Por essa razão, muitas vezes, ao mentir, algumas crianças são reforçadas por este comportamento, pois as pessoas podem dizer: “que bonitinho”, ou apenas reforçar a mentira “você tem 20 cadernos coloridos! Que legal”. Dessa forma o comportamento verbal possui uma imensa importância nesta pesquisa, pois verbalizar ao positivo ou negativo diante de uma mentira pode trazer consequências ao sujeito chamado pela sociedade de “mentiroso”.
Em síntese, quase todas as pessoas mentem todos os dias, ou já mentiram. Contudo, precisamos entender: por que essa pessoa mente? Para controlar os outros? Para deixar feliz quem ama? Ou para fugir de algo ruim? Quais são os valores da verdade para o mentiroso? Talvez esta pessoa ainda não saiba as consequências de suas mentiras.
Esta resposta podemos encontrar através de uma análise funcional do comportamento de quem está vivendo sob mentiras. Ao perceber esta situação, precisamos analisar o quanto as mentiras de seu parceiro ou filho estão atrapalhando no dia-a-dia.
Autora:  (Psicóloga CRP 06/109800)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

TREINAMENTO PARA ACABAR COM O ESTRESSE


O que é estresse (ou stress)

Estresse (ou stress) é um instinto. O corpo reage quando se depara com uma ameaça real ou imaginária. A pressão arterial sobe, a freqüência cardíaca aumenta, a respiração fica ofegante, os músculos ficam tensos, dá dor de barriga. Observem que eu disse ameaça real ou imaginária, você pode tanto estar sendo atacado por uma pessoa furiosa como pode estar imaginando que o namorado vai romper com você – pois você “percebeu” que ele está com um ar distante, ou imagina que o chefe vai te demitir porque esta semana ele te cobrou mais do que o normal. Independente de estas situações serem verdadeiras, se te passou pela cabeça que seu chefe vai te demitir o corpo acredita, e acreditando começará a reagir como se fosse verdade. Na realidade seu cérebro não sabe o que é real, tudo o que você pensa, como o que você vive de fato, é percebido pelo cérebro como realidade.
A repetição dessa reação do seu corpo ao estresse faz com que você produza hormônios que podem ser perigosíssimos, podem desencadear desde uma simples dor de cabeça como infarto.

Sintomas relacionados ao estresse (stress)

Os sintomas psicológicos podem ser: ansiedade, tensão, confusão, irritabilidade, frustração, ira, ressentimento, hipersensibilidade, você fica muito reativo, passa a ter dificuldade na comunicação com as pessoas, se afasta das pessoas, e o pior, se sente isolado, insatisfeito com o trabalho, com a vida, aparece a fadiga mental, prejuízo do funcionamento intelectual, perda da concentração, da espontaneidade, da criatividade e da auto estima. Enfim, você se odeia!
Os sintomas físicos do estresse: Aumento da pressão sanguínea, problemas gastrointestinais, fadiga física, sudorese, problemas de pele, dor de cabeça, distúrbios do sono, etc. Comportamento do estressado.
Sintomas comportamentais do estresse são: “Deixar para amanhã”, evitação do trabalho, você fica menos produtivo, uso e abuso do álcool e drogas tanto legais como ilegais, come em excesso, o que leva a obesidade, ou come muito pouco, depende de cada pessoa, a que costuma ter pouco apetite, em estresse esse apetite some de vez, quem tem mais apetite vira um leão pra comer, e em casos de estresse mais graves pode acontecer até tentativa de suicídio.

Estresse interno e estresse externo

O estresse (ou stress) pode vir de fora de, como por exemplo problemas com a família, trabalho, amigos, ou pode ser interno, quando se luta com um conflito emocional, por exemplo, quando a pessoa se impõe a padrões muito elevados, só se aceita se estiver tudo perfeito em sua vida, sofre um estresse que ela mesma criou. Outros conflitos emocionais são as ansiedades, frustrações, angustias, mágoas, decepções, raivas, etc.

Conseqüências do estresse (stress)

O principal hormônio envolvido nesse processo é o cortisol. Quando o estresse é passageiro a produção do cortisol é pouca, o suficiente apenas para te deixar alerta, o que é bom, porque te permite enfrentar a ameaça, mas se o estresse for crônico, todo dia, toda hora tua cabeça vive com mil preocupações como, por exemplo, você remoendo o pânico de procurar emprego, o marido que nunca chega cedo em casa, seu chefe que sempre acusa erro em seus relatórios, é essa timidez que te deixa sem graça diante das pessoas. Cada um destes eventos vai produzindo cada vez mais cortisol em seu seu organismo. O que é um perigo, tanto mental como físico, pois aumenta o risco de acumulo de gordura nas paredes das artérias, eleva a pressão arterial, enfraquece os glóbulos brancos, e com isso reduz a capacidade do organismo lutar contra as doenças. Já ouviram falar das tais doenças psicossomáticas? Do psicológico afetando o corpo? Tudo começa por aí. Você passa por problemas psicológicos, traumas, se torna emocionalmente debilitado e chega uma hora que o corpo padece também.
Depois de anos de estresse o corpo começa a desmoronar: a memória vai pro brejo, o sistema imunológico fica enfraquecido, ou seja, você fica muito mais suscetível a tudo quanto é doença e nem sabe porque, hipertensão, problemas de estomago, problemas dermatológicos, dificuldades digestivas, etc.

Porque algumas pessoas não se estressam

Tem gente que passa por fortes situações, perde um ente querido, por exemplo, e ainda assim supera, claro que com dor, luto, mas consegue levar sua vida normalmente. Não é porque a pessoa não gostava desse ente querido, gostava e muito. Tem gente que vive com a agenda lotada 14 horas por dia de obrigações, coisas pra fazer, trabalho e responsabilidades, e ainda assim vive sem estresse, enquanto outros se desestruturam totalmente. Ou seja, algumas pessoas tem boa capacidade de enfrentamento e outras não tem, ou num dado momento tem boa capacidade de enfrentamento e em outro momento já vai tudo por água abaixo.
Pode ser que o estressado nem sabe qual é a fonte de estresse, isso você percebe quando não há nada de muito ruim na sua vida, mas ainda assim está morto de cansado: “aparentemente minha vida não tem nada de catastrófico, mas eu não estou bem”. A resposta é: você não dispõe de armas pra vencer o estresse.

Porque algumas pessoas são mais estressadas que outras

Você é do jeito que é, ou seja, infeliz, entusiasmado, cismado, carrancudo, pró-ativo, enfim, tanto suas qualidades como defeitos psicológicos devido a 3 fatores:
Genética. Você é assim porque recebeu gens que determinam seu estado de humor.
Ambiente, ou seja, você é do jeito que é porque aprendeu ser assim, lhe disseram pra ser assim, “menina dê a vez para as outras pessoas” aí você aprende que você nunca tem vez, que todo mundo é mais importante que você. Aprendeu porque viu exemplos de pessoas sendo assim, viu seu pai ser demitido e ficar em casa arrasado, e com isso aprendeu que não adianta lutar, o negócio é desistir. Se você teve um pai que vivia dizendo “ninguém é amigo de ninguém, todo mundo trai quando tem uma oportunidade”, claro que você vai aprender a ser inseguro, você aprende a ter uma visão negativa a respeito das pessoas e, claro que vai aplicar nos seus relacionamentos pro resto da vida, qualquer amigo ou namorado vai viver sob seu olhar desconfiado. Enfim, a vida ensina de tudo quanto é jeito.
O terceiro fator é o mais bacana:
Você é do jeito que é por sua causa mesmo. É isso aí! Você pode contar com você pra ser o que você quiser ser. Ou seja, através de atividades intencionais você pode determinar o quanto será leve, espontâneo, e feliz.
Tenho até as proporções pra cada fator. As circunstâncias da vida, o quanto você é feliz porque teve um pai legal, uma mão carinhosa, é só 10% do seu total de felicidade. A genética é um ponto decisivo, decide 50% da sua cota de felicidade, ou seja, pode ter a vida maravilhosa que for, mas 50% da sua felicidade você já nasceu com você. Tanto é que gêmeos idênticos criados separados, sob circunstâncias bem diferentes tendem a ter um patamar de felicidade bem parecido, não importa o que tenha acontecido com eles. Mas o que normalmente se deixa de lado, e é um desperdício, são os 40% restante, que é a parte que pode ser alterado por nossas atividades, nossas atitudes intencionais. Ou seja, por mais que você acha que é infeliz por causa o seu corpo, do seu trabalho, da colega que te perturba, com o casamento. Pare! você pode mudar todo seu estado de animo com muita disciplina e autocontrole pra desaprender crenças que estão te limitando.

Enfrentar os problemas

Enfrentar significa usar uma das três saídas:
1ª superar o problema,
2ª cair fora do problema ou
3ª conviver com o problema.
Ou seja, ou você elimina o problema, ou cai fora do problema, ou aprende a conviver com ele. Isso é enfrentamento. Ex: Seu casamento está sendo um problema, mas você não consegue resolver nem consegue sair do problema (não consegue se separar), e nem dá pra aprender a conviver com ele, aí sim, chegamos no estresse. Você está num beco sem saída, está estressado.
O que fazer para combater o estresse Relaxar. Fácil falar, não? “Relaxa!” Já ouviram algo assim? É irritante, mas não deixa de ser verdadeiro, pois relaxando o corpo produz mais oxido nítrico, molécula antídoto contra o cortisol.

Como relaxar

Aprendendo a flexibilizar o pensamento. Aprender a pensar racionalmente. Aprender a resolver os problemas do dia a dia. Usar o lado esquerdo do cérebro - por mais que digam que se deve desenvolver o lado direito, que é o lado das emoções e da criatividade, na realidade o lado direito é responsável pelo descontrole emocional, quando você fortalece o lado esquerdo, que é o lado da lógica, do raciocínio, da atenção e do controle das emoções, você consegue mais equilíbrio e paz de espírito. Quando você não consegue sozinho você pode contar com o trabalho do psicólogo e da psicoterapia.

Como a psicoterapia age no combate ao estresse

Tratando a ansiedade, a depressão, ou seja tratando seu estado psicológico.  Tanto a Terapia Cognitiva Comportamental como a psicanálise te ensina a identificar os pensamentos automáticos destrutivos e reavaliar sua vida. Muita gente sofre por fazer uma interpretação errada das situações do dia a dia. Por exemplo, uma pessoa se acha imprestável e sofre porque vive como se isso fosse verdade, na terapia a gente tem a possibilidade de identificar de onde vem essa idéia. Será que foi da sua criação? Será que a pessoa foi passando por situações negativas e repetitivas que foram estabelecendo esquemas negativos dentro de sua mente? O psicólogo trabalha para que essas crenças disfuncionais sejam corrigidas no que for possível.

Insegurança promove estresse

É preciso encontrar segurança interna. A pessoa segura não sente o estresse tão facilmente. Ser seguro é perceber-se forte e resistente às emoções destrutivas. Não falo da percepção de segurança falsa, aquela adquirida com pensamento positivo, aquela coisa de acordar olhar no espelho e repetir “você é lindo, forte e sua via é perfeita”, eu falo do pensamento racional, verdadeiro, que admite que haja adversidades, mas que você pode encará-las como oportunidade de crescimento, sempre aproveitando a vida como aprendizagem. Aprender é sempre muito mais interessante do que nunca errar, nunca se deparar com o chefe chato, com o namorado que enrola, o transito, a chuva, o medo, etc.

Estresse = desgaste psicológico

Quando entendemos as situações que produzem estresse passamos a entender o próprio desgaste psicológico. Estresse não é trabalhar muito e ficar cansado, isso você recupera numa noite bem dormida, o verdadeiro estresse é a “cabeça” cansada, a dificuldade em se tornar independente, a insegurança, a falta de auto-estima, o ciúme desproporcional e todas as situações onde você se sente vulnerável e incapaz de superar.

Como mudar seu próprio cérebro

Ao se manter o estressado você debilita seu próprio cérebro. Mas eu tenho boas noticias da neurociência, segundo neurocientistas nós podemos mudar nosso cérebro. Uma pessoa quem vem se sentindo estressado, de mal com a vida, irritado, depressivo, sem animo, pode mudar isso tudo de forma voluntária e intencional.

O que é mente e o que é cérebro

Cérebro é a parte física, é essa massa cinzenta que você tem aí dentro da sua caixa craniana que pesa um pouco mais de um quilo. É o tecido biológico. A mente é o resultado do funcionamento do cérebro, são os pensamentos, os sentimentos, e as emoções. É como se o cérebro fosse o hardware, e a mente o software. Mas a diferença da sua cabeça pra um computador é que seu software não pode alterar o hardware, ou seja, o programa não pode mudar a máquina, coisa que é possível entre a mente e o cérebro.
Vou explicar. Por exemplo, tem um problema no trabalho e já começa a pensar: “vou ser demitido, nunca vou conseguir as coisas, nada dá certo na minha vida”. Quando essa pessoa altera os padrões disfuncionais de pensamento, como faz a TCC, Terapia Cognitiva Comportamental, e passa a pensar diferente: “Isso é só um obstáculo, posso muito bem aprender a contornar essa dificuldade no trabalho, pesquisar novas técnicas para aplicar em meu trabalho como outras pessoas já fizeram e tiveram até promoção”. Ao desenvolver esse novo padrão de pensamento a parte do seu cérebro que gerava pensamentos obsessivos é reduzido, e a parte que gera emoções positivas aumenta. Isso prova que há uma conexão entre a região responsável pelos pensamentos e a região encarregada das emoções. Quando você muda seus pensamentos você muda seus sentimentos, e essa mudança é visível no cérebro, estruturalmente seu cérebro mudou.

Desenvolvendo Recursos Pessoais

Um dos recursos pessoais mais importantes é o senso de auto-eficácia. Auto-eficácia significa que você acredita em si mesmo, você percebe que tem condições de enfrentar ou resolver seus próprios problemas. O senso de auto-eficácia pode ser adquirido naturalmente, ou seja, os sucessos que você teve no passado te oferecem base para perceber que poderá se sair bem nas próximas situações problemáticas da vida.
Quando a pessoa fracassa em algum momento da vida tende a considerar que suas novas tentativas também vão dar em fracasso, o que não é verdade necessariamente, mas por não acreditar em si mesmo (não desenvolver o senso de auto-eficácia) nem tentará resolver o novo problema, o problema cresce, e pronto! Virou uma profecia que se auto realizou. Tanto ela achou que a coisa não daria certo que não deu mesmo. E o interessante é que ela nem percebe que foi ela que fez a coisa dar errado, foi sua falta de iniciativa de pelo menos tentar.
Quanto mais fraco for o senso de auto-eficácia de uma pessoa, menos ela vai enfrentar os problemas e mais estressada ficará. Auto-eficácia é como uma lupa, se você a usar direito você vai usar a lente de aumento e verá tudo de forma mais clara, tudo maior, mas se usar a lupa do lado contrário tudo fica muito difícil de ver. Auto eficaz é a pessoa que vê sua capacidade com a lente de aumento, e olha para os problemas com o lado que diminui. O estressado já olha os problemas pela lente de aumento, e mesmo sendo problemas pequenos ele os vê como insolúveis, insuperáveis.
Mesmo que a pessoa não tenha adquirido este senso naturalmente com a vida, ainda assim é possível desenvolve-lo através do trabalho do psicólogo, em psicoterapia.

Conclusão

Você pode treinar para se sentir melhor, independente do que esteja acontecendo na sua vida. O seu cérebro vai acompanhar esse treino e vai se alterar. Você vai funcionar diferente. Quer ver um exemplo. Monges budistas, que treinam meditação muito intensamente trabalhando a compaixão tem a parte do cérebro responsável pela empatia e pelo altruísmo bem aumentada, esse é o lado esquerdo do cérebro.
As conexões entre as células nervosas ficam mais fortes, é como quando você faz musculação, as conexões entre as fibras do músculo do seu braço ficam mais fortes. Mudar os pensamentos é como fazer musculação no seu cérebro. É possível aumentar o seu bem estar por meio de treino mental. A palavra chave é intenção, você pode mudar se trabalhar intencionalmente pra essa finalidade.
A decisão de ser feliz está em suas mãos. O estado mental pode estar sob nosso controle. Ele pode ser mudado com treinamento. A psicologia  está estudando quais exercícios mentais diminuem o sofrimento e eu sou uma das maiores entusiastas destes estudos .
Conte com um psicologo para realizar as mudanças que você precisa.



estressado

Entrevista cedida pela psicóloga Marisa de Abreu para o  Portal Minha Vida



Como lidar com o estresse



- Apesar de o estresse ser gerado por situações externas, a pessoa pode aumenta-lo com sua forma de encarar os fatos? Como?

Psicólogo: Claro. A psicologia cognitiva estudou muito este fator e deixou bem claro aquilo que os filósofos já diziam “O problema não é o que acontece contigo, o problema é como você lida com o que acontece contigo”. Ou seja, as pessoas que tem tendência a catastrofizar – ver as coisas de forma muito pior do que  realmente são – sofrem muito mais com os eventos estressantes.
Quem tem uma auto imagem muito frágil, sofrerá mais danos emocionais do que uma outra pessoa que passou pelas mesmas situações estressantes.

- Saber identificar os fatores estressantes do seu dia a dia é importante para lidarmos com o estresse? Por quê?

Psicólogo: Sim, pois assim podemos sair fora deles ou na pior das hipóteses buscar mais forças para enfrenta-los. Por exemplo, ao identificar uma situação de estresse que está por vir podemos, quando possível, aprender a dizer “não” a compromissos que só sobrecarregarão ou nos prepararmos com exercícios físicos ou relaxamento para encarar os eventos estressantes.

- Existem fatores de estresse que são mais difíceis de serem reconhecidos? O que poderia causar essa dificuldade?

Psicólogo: Sim, algumas vezes não nos damos conta de alguns fatores estressantes por considerarmos nossa obrigação realizações que na verdade não são de nossa alçada. Como por exemplo, considerar que devemos resolver os problemas de cada parente ou amigo que chega com suas estórias complicadas para serem resolvidas – devemos considerar que muitas vezes ajudamos mais apenas ouvindo.

- Todos os fatores estressantes podem ser resolvidos simplesmente? Como lidar com os que não podemos simplesmente eliminar de nossas vidas (como alguém da família, um chefe, etc...)?

Psicólogo: Para todo problema há 3 formas de lidar:
- Soluciona o problema
- Cai fora do problema
- Aprende a viver com ele
Sendo assim, quando não há como eliminar nem solucionar a saída é aprender a viver com ele, ou até melhor aprender a viver apesar do problema.

- Escrever um diário pode ser uma forma positiva de lidar com o estresse? Colocar as situações no papel ajuda a encará-las de forma diferente?

Psicólogo: Se a intenção for ver o problema de outros ângulos pode ajudar, mas tomem cuidado para que o diário não se transforme em uma forma de “ruminar” e intensificar a raiva e o problema.

- E o fato de escrever e expressá-las também pode trazer insights de formas para resolvê-las?

Psicólogo: Sim, é possível, mas é preciso escrever com esta disposição e não repetir e repetir o problema até ele fazer parte de sua vida eternamente.

- Esse diário precisa ser feito em papel e caneta, ou pode ser digital? Muda alguma coisa no tipo de plataforma?

Psicólogo: Não. Há pessoas que simplesmente esqueceram como se escreve com caneta, não há diferença.

- O que a psicologia encara como pensamentos tóxicos? Eles são comuns em pessoas estressadas?

Psicólogo: São as ruminações – repetições intensas referente ao que não gosta e do que não consegue fazer.

- De que forma esses pensamentos pioram o estresse?

Psicólogo: Dão a sensação de impotência pois engrandecem o problema.

- Como o estressado pode mudar esses padrões de pensamento?

Psicólogo: De forma deliberada procurando flexibilizar o pensamento. Ou através da psicoterapia onde o psicólogo o ajudará a encontrar novas formas de ver o mesmo panorama.

- Se mais assertivo pode ajudar a reduzir fontes de estresse e até a lidar melhor com elas? De que forma?

Psicólogo: Sim, saber falar “não” na hora certa, para apessoa certa e da forma certa dá muito resultado.

- O que a pessoa pode fazer para se tornar mais assertivo?

Psicólogo: Treinar sempre sua mente, ser elegante e não considerar que ser agressivo é o mesmo que ser assertivo.

- Todo mundo consegue se expressar bem com as palavras? De que outras formas os nossos sentimentos podem ser expressos?

Psicólogo: . Gosto muito da expressão através de palavras, há pessoas que recebem gestos maravilhosos todos os dias de uma certa pessoa mas acabam considerando uma pequena palavra de outra pessoa.

- Quais os benefícios da arteterapia para o estresse?

Psicólogo: Relaxamento, capacidade de mudar o foco e pensar em outra coisa para dar chance de renovar os pensamentos e desenvolvimento da capacidade de perceber-se como produtivo.

- Existem outras terapias que ajudem o estressado a se expressar de formas diferentes da arteterapia?

Psicólogo: Toda terapia ajuda, mas a terapia Cognitiva comportamental tem um trabalho bem focado na mudanças dos padrões de pensamento.

- De que forma o humor e a terapia do riso podem ajudar a lidar com o estresse?

Psicólogo: Quando você ri seu cérebro interpreta o ato como alegria, mesmo que de inicio você não se sinta alegre, com a repetição do comportamento de riso seu cérebro lhe ofertará o sentimento de alegria.

- Existem tipos de humor melhores para serem desenvolvidos pelas pessoas estressadas? Sarcasmo e ironias são tipos bons ou ruins?

Psicólogo: . Sarcasmo e ironia nunca foram humor saudável, são comportamentos agressivos puros. As pessoas passivas agressivas que tem este comportamento.

- As falhas de comunicação entre o estressado e as outras pessoas pode gerar mais estresse?

Psicólogo: O estresse dificulta o bom elaborar de pensamentos e assim a expressão dos pensamentos fica comprometida. Sem conseguir dizer o que se quer da forma que se quer não há como obter entendimento interpessoal.

- Entender melhor como você deve se comunicar com cada tipo de pessoa é importante para evitar estresse e lidar melhor com as situações?

Psicólogo: Sim, cada pessoa pede uma forma de expressão. Para uns remos que ser práticos, para outros objetivos. Quanto mais desenvolvermos esta sensibilidade mais eficientes seremos.

- Saber administrar o tempo melhor pode ajudar a reduzir fatores estressores? Por quê?

Psicólogo: Sim, saber priorizar o que  realmente merece é de grande valia.

- Normalmente, quais as dificuldades mais comuns dos estressados ao lidar com administração do tempo?

Psicólogo: Os estressados não conseguem obter uma visão “panorâmica” de sua situação atual e assim não conseguem organizar oq eu deve ser feito primeiro ou quanto tempo usr em cada tarefa.


Fonte: MarisaPsicologa.com.br

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O TERAPEUTA DE CASAL TRABALHA PRA MANTER CASAIS JUNTOS?

Um mito muito comum em relação às terapias individuais é o de que quem faz terapia termina o relacionamento. Isto leva, muitas vezes, os parceiros a ficarem preocupados quando o outro conta que está fazendo ou pretende fazer análise.

Possivelmente, esta ideia relaciona-se ao fato de que aquele que vivencia um processo de análise está num continuum de autoconhecimento, o que geralmente é acompanhado de mudanças, novos padrões comportamentais. Não se pode negar que, muitas vezes, isso culmine no término do relacionamento, naqueles casos em que a pessoa identifica que o relacionamento está produzindo mais ônus que bônus (aversivos que apetitivos). Mas, em outros muitos casos, a análise produz o fortalecimento da relação, ao se identificar que a balança pesa mais do outro lado, aumentando a importância do companheiro ou companheira.

Costumo dizer que não devemos ter medo de nossos parceiros ou parceiras fazerem terapia, pois, se eu me comporto como um bom companheiro – é importante deixar claro que não basta eu acreditar que sou “bacana”, tenho que de fato agir assim –, ele ou ela irá identificar e valorizar ainda mais nossa relação.

Outro mito — e esse sim é o foco principal deste artigo — é o de que terapeutas de casal trabalham para manter o casal junto.

Assim como a primeira, esta também se trata de uma ideia deturpada da atuação do terapeuta. O que o analista do comportamento que trabalha com casal deve fazer é auxiliar o casal na análise do relacionamento, o que poderá conduzir ambos para uma relação melhor se continuarem juntos, ou desembocar no término da relação em casos de incompatibilidades .

Posso imaginar que alguns leitores ficaram tristes agora, pois, ao falar que resolver problemas do relacionamento não necessariamente é manter a relação, posso ter derrubado o castelo (de areia), o sonho, de alguns. Para estes, não direi para não ficarem tristes, até porque sei que isso não resolve; direi que ficar triste é uma condição humana tanto quanto ficar feliz, e que vivenciaremos estas emoções muitas vezes — isso também é viver. No mais, penso que ajudo ao colocá-los no chão firme, dando-lhes alicerces. Melhor que viver num castelo de areia (fantasia) é viver numa casinha simples e firme, pois esta dará tranquilidade, alegria (e, por que não, conforto) por muito mais tempo do que o castelo que se desfará na primeira ventania.

Voltando à terapia com casais, o caminho percorrido visa proporcionar a cada integrante do casal qualidade de vida, o que, em alguns casos, significará permanecerem juntos (com algumas modificações na forma de interagirem um com o outro) e, em outros, seguirem rumos diferentes. Em outras palavras, trabalhamos para que cada uma das partes consiga construir o maior número de apetitivos e/ou o menor número de aversivos possível, o que poderá refletir em uma vida com mais bônus que ônus, com momentos de felicidade mais duradouros que os de tristeza, que se tenha mais segurança que insegurança, etc. A decisão de ficarem juntos ou seguirem caminhos diferentes é de cada um e de ambos, ou seja, (1) cada um tem que escolher estar junto, mas para que a união continue é preciso, também, que (2) os dois tenham decidido a mesma coisa; caso uma destas condições não seja atendida teremos a separação. Se um dos membros do casal decidir pelo término, aquela relação afetiva torna-se impossível, e a outra parte terá que aceitar esta contingência, mesmo que sua escolha seja a manutenção da relação, pois esta relação só é possível com ambas as partes.

Daí algum leitor pode me perguntar: o que acontece nestes casos em que um decide por encerrar o relacionamento afetivo? A análise começará a se direcionar para auxiliarmos a pessoa, que havia decidido pela manutenção da relação, a analisar se esta é uma possibilidade viável, trabalhando a aceitação e, ao mesmo tempo, focando-se no desenvolvimento de repertórios que possam levá-la ao seu melhor mundo, sendo este traduzido pelas melhores condições de vida possível dentro das contingências que lhe são acessíveis.

Esta direção, é claro, só é dada caso verifique-se que não há mais contingências que sustentem a relação. Ou seja, todas as possibilidades de manejo de contingências pela manutenção já foram analisadas e uma das partes (quando não ambas) decide pelo término da relação afetiva.

Todavia, num primeiro momento, o que se espera quando um casal procura o clínico analítico-comportamental é que eles estejam engajados na manutenção da relação. Até porque este é um caminho de trabalho mais fácil (ou, menos difícil).

Assim, as terapias individual e/ou de casal não visam levar as pessoas ao término de seus relacionamentos, bem como à sua manutenção; o foco é o estabelecimento da qualidade de vida das pessoas. Em outras palavras, promover autoconhecimento que permita às pessoas manejarem as contingências ambientais da melhor maneira possível para que elas tenham, numa perspectiva global de suas vidas, maior acesso a apetitivos e/ou menor exposição a aversivos. Feliz ou infelizmente, este é o papel do terapeuta de casal.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O QUE MANTEM A ANSIEDADE?

 A cada dia, a ansiedade tem se tornado um dos temas mais abordados entre os profissionais da Psicologia. Além disso, esse estado emocional tem sido citado entre as pessoas de uma forma geral para justificar algumas atitudes. Todos nós já ouvimos alguém falando “hoje comi uma barra de chocolate porque estava ansioso”, “estava ansioso quando fui ao shopping e gastei além do limite do meu cartão”, “meu filho não dormiu no dia anterior ao passeio do zoológico, porque estava muito ansioso para o dia chegar!”. Muitos clientes chegam à clínica com relatos desse tipo ou com algumas queixas que demonstram que o sentir ansiedade está produzindo consequências ruins nas vidas dos mesmos. Portanto, como trabalhar com os clientes ansiosos?

Para a Análise do Comportamento, a ansiedade, assim como os outros sentimentos também são considerados comportamentos, ou seja, não existe uma relação de causa e efeitocomo foi citado no primeiro parágrafo. Tal relação mentalista é aprendida pela sociedade e dificulta bastante o trabalho na clínica, pois é preciso desconstruir a ideia de que o sentimento causa um comportamento. O sentimento faz parte do comportamento, ou seja, da relação organismo-ambiente. Skinner (1953) cita Willian James para explicar que são as circunstâncias externas que levam o indivíduo ao sentir e que o sentimento o leva a iniciar a ação apropriada. Dessa forma, “nos sentimos tristes porque choramos, irados porque lutamos, medrosos porque trememos, e não que choramos, lutamos, ou trememos porque estamos tristes, irados, ou medrosos”. 

Os relatos dos clientes com ansiedade referem-se a um estado emocional desagradável que envolve excitação biológica ou manifestações autonômicas e musculares tais como taquicardia, hiperventilação, sensação de sufocamento, tontura, sudorese, tremores. (Gentil, 1998). Essa descrição nos sugere a existência de contingências aversivas, uma vez que, além dos relatos dos eventos internos, os clientes descrevem situações as quais não sabem lidar. Outra situação nos sugere a presença de contingências positivas, ou seja, situações nas quais o indivíduo tem dificuldade em esperar as consequências reforçadoras positivas a médio e longo prazo. 

Existem algumas variações na definição da ansiedade para a Análise do Comportamento, mas todos os autores citam que existe uma importância atribuída a uma sinalização do estímulo aversivo pelo estímulo pré-aversivo e sua função na eliciação de respostas fisiológicas. (Coelho & Tourinho, 2008) É um sinal de que algo aversivo irá ocorrer, seja ele real ou não.Para Bravin& Rangel de-Farias(2010), as respostas operantes da ansiedade tem função de eliminar, evitar ou postergar os estímulos e as respostas classificadas como “sintomas”. As respostas são, portanto, reforçadas negativamente pela eliminação dos eventos aversivos (públicos ou privados).

Em função dessas contingências de fuga/esquiva, alguns indivíduos passam a sofrer prejuízos acadêmicos, sociais ou profissionais como, por exemplo, deixar de ir à faculdade para não apresentar um trabalho em público ou deixar de ir à uma reunião importante por não saber se o chefe irá gostar de um determinado projeto que o indivíduo irá apresentar. Isso acontece porque tais situações aversivas (“sinal de perigo”) que foram condicionadas anteriormente, eliciam algumas respostas privadas de ansiedade e as respostas públicas de evitação. 

Entretanto, alguns pacientes têm relatado suas respostas privadas de ansiedade, porém com pouca emissão de respostas públicas evitativas (fuga/esquiva). São indivíduos extremamente competentes e bem sucedidos, pois ao se depararem com desafios, não se esquivam nem fogem, desenvolvendo, dessa forma, variabilidade de comportamentos que os levam ao “sucesso”. Coelho e Tourinho (2008) citam que, apesar da maioria dos textos abordar as contingências em que um evento sinaliza um evento aversivo, existem situações em que um evento sinaliza um estímulo reforçador positivo. Tal contingência também pode produzir ansiedade. Esperar por uma promoção no trabalho ou uma viagem, por exemplo. Zamignani e Banaco (2005) descrevem que muitos eventos descritos como agradáveis podem originar um sentimento de ansiedade, nestes casos, a ansiedade está relacionada com a espera. 

Seria interessante analisarmos a ansiedade a partir dos três níveis de variação e seleção. Nível Filogenético, tal estado interno tem como função evitar danos e preservar o organismo, pois as respostas eliciadas disponibilizam maior fluxo sanguíneo e oxigênio dissolvido no sangue, as quais contribuem para o aumento do metabolismo muscular que podem ser necessários em uma situação de luta ou fuga de um predador (Bravin& Rangel de-Farias, 2010). Nos tempos do homem das cavernas, por exemplo, eram respostas extremamente necessárias para a sobrevivência. Ao longo do desenvolvimento dos seres humanos, tais respostas foram sendo selecionadas, o que nos leva a compreender que a função delas é a de preparar o indivíduo para o enfrentamento de situações aversivas. Um exemplo pode ser taquicardia diante da punição do chefe.

A história das relações comportamentais (Nível Ontogenético) vai contribuir para a ansiedade existir em maior ou menor intensidade na vida dos indivíduos, pois os estímulos eliciados incondicionados podem se tornar operantes condicionados produzindo mudanças no meio (Bravin& Rangel de-Farias, 2010). Segundo Skinner (1953), os comportamentos emitidos pelos organismos são selecionados ou não pelas suas consequências, ou seja, o reforçamento aumentando a probabilidade de uma determinada classe de resposta e a punição enfraquecendo a probabilidade das mesmas. Se a mãe da criança do exemplo anterior levá-la para casa ao invés de ensinar estratégias de enfrentamento da situação aversiva (escola como ambiente novo) já se estabelece uma contingência de reforçamento negativo, na qual, provavelmente, produzirá alta frequência de respostas de fuga/esquiva dessa criança (muitas vezes em outros contextos também).

No contexto clínico encontramos algumas histórias de vida de contingências reforçadoras positivas contínuas. Segundo Catania (1999), o reforço contínuo ou regular é o reforço de cada resposta dentro da classe operante. São indivíduos que foram atendidos imediatamente (histórias de super proteção) e que têm, em função disso, baixa tolerância a frustrações por não conseguirem esperar o reforçador atrasado. Tal contingência também pode produzir um tipo de ansiedade. Por exemplo, a sinalização de uma viagem ou um presente muito esperado (reforçadores positivos) se torna aversiva por se relacionarem à espera(Coelho e Tourinho, 2008).

Como citado anteriormente, os indivíduos extremamente competentes e bem sucedidos, por não se esquivarem nem fugirem dos eventos aversivos, desenvolvem variabilidade de comportamentos que os levam ao reforço positivo. São os clientes da clínica que tendem a querer “abraçar o mundo”, fazer diversas tarefas ao mesmo tempo em busca de serem os melhores em tudo (melhor esposa, melhor amiga, melhor mãe, melhor trabalhadora, etc). Entretanto, quando realizada a análise funcional, pode-se identificar que há alguns eventos aversivos que os leva a se comportarem, também, por reforçamento negativo. Estes podem ser: não desagradar alguém, as pessoas pensarem que não são competentes ou bons (histórico de pouca ou muita punição).Portanto, as repostas emitidas passam a ser reforçadas positivamente sempre com um alto custo, ou seja, eles precisam executar tais tarefas de maneira perfeita e, se por alguma razão, o reforçador não vier, o sentimento de ansiedade aparece juntamente com pensamentos de inferioridade e de incapacidade.

Para finalizar esta parte, existe, também, o último tipo de seleção por consequências: a Sociogênese. Esta consiste na evolução dos ambientes sociais ou culturas. Tal evolução ocorre quando as práticas individuais contribuem para o sucesso de um grupo ao solucionar problemas. É o efeito sobre o grupo e não as consequências reforçadoras para os seus membros (individualmente) o responsável pela evolução da cultura. (Skinner, 1981). Dessa maneira, podemos pensar que hoje em dia a busca pelas soluções rápidas de alguns problemas ou a de facilitar o dia-a-dia dos grupos tem contribuído com os quadros de ansiedade como, por exemplo, o uso da tecnologia para a comunicação: se uma mensagem enviada para alguém for visualizada e não respondida pode eliciar diversas respostas de ansiedade, pois pode ser um sinal de punição para o indivíduo que a enviou (o outro pode não ter gostado da mensagem, não irá me responder mais, etc).

Diante dessas reflexões, como o terapeuta Analista Comportamental pode trabalhar com esses clientes ansiosos?
Por ser um comportamento multideterminado, não podemos pensar em apenas uma técnica para o tratamento. Inicialmente, é preciso ser feita uma investigação dos comportamentos do cliente e, através da análise funcional das contingências pode-se encontrar quais são as variáveis que controlam as contingências de ansiedade e quais são os reforçadores (positivos e/ou negativos) que estão mantendo as mesmas. Investigar a história de vida de cada cliente é, também, de extrema importância uma vez que elas ajudaram a construir os padrões comportamentais ansiosos (histórias de muita punição, super proteção, abandono, entre outras).

Através das análises das contingências, o terapeuta precisa ampliar o repertório de auto-observação para que o cliente consiga discriminar quais são os estímulos que antecipam as respostas de ansiedade para que, assim, consigam alterar suas respostas para novas consequências. Tal procedimento pode ser feito em conjunto com a modelagem das respostas assertivas frente aos estímulos aversivos que segundo Catania (1999), se consiste na modificação gradual de alguma propriedade do responder pelo reforço diferencial de aproximações sucessivas a uma classe de respostas que se tem como objetivo. Além disso, o terapeuta pode fornecer modelos de resposta diferentes das emitidas com função de evitação a fim de ampliar os repertórios do cliente. 

Algumas técnicas também podem ser utilizadas como a exposição com prevenção de respostas na qual o terapeuta pode fazer uma exposição gradual a situações idênticas às geradoras de ansiedade. Podem ser feitas in vivo ou de forma imaginária. Um bom exemplo seria o de produzir na sessão um contexto semelhante à de uma reunião de trabalho para um cliente que tem sintomas de ansiedade quando uma reunião é agendada, ou ir com um cliente ao shopping se ele tem respostas de fuga/esquiva para lugares públicos. Neste último exemplo, o terapeuta pode fazer, também, o fading out em que o terapeuta vai com o cliente algumas vezes ao shopping e, em seguida, vai reduzindo sua frequência para que os comportamentos do cliente fiquem sob controle de consequências reforçadoras naturais. 

Nos casos dos clientes bem sucedidos e competentes (os que querem “abraçar o mundo”), o terapeuta pode fazer análises e fornecer modelos que ampliem seu repertório social e o de assertividade. E, além disso, é preciso desconstruir ideias de que são fracassados quando não conseguem algo que queriam trazendo “dados de realidade” para a sessão, ou seja, relatar consequências reforçadoras já conquistadas por eles.

Por último, muitas vezes, faz-se necessário utilizar técnicas de relaxamento e o treino respiratório para alívio dos comportamentos respondentes, mas se eles forem excessivamente incômodos o terapeuta deve encaminhar o cliente para um Psiquiatra para iniciar o uso de alguma medicação.

Enfim, são inúmeras as consequências mantenedoras das contingências de ansiedade. Cabe ao terapeuta, antes de qualquer intervenção verbal ou uso de qualquer tipo de técnica, fazer a análise funcional sempre lembrando que cada indivíduo é único. Não se esquecendo da importância da audiência não punitiva (para que a emissão dos relatos verbais incômodos aumente de frequência) e da empatia (se colocar no lugar do indivíduo), pois os estados internos desagradáveis da ansiedade atrapalham (e muito!) o funcionamento de vida diário nos nossos clientes.



- Bravin, A. A. & Rangel de-Farias,A. K. C. (2010). Análise Comportamental do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Implicações para Avaliação e Tratamento. In: Ana Karina C. R. de-Farias e colaboradores: Análise Comportamental Clínica: aspectos teóricos e estudos de caso. Porto Alegre: Artmed
- Catania, A. C (1999). Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Porto Alegre: Artmed
- Coelho, N. L. & Tourinho, E. Z.(2008). O Conceito de Ansiedade na Análise do Comportamento. Psicologia Reflexão e Crítica, 2, 171-178
- Gentil, V.(1998). Ansiedade e Transtornos Ansiosos. In: Valentim Gentil, Francisco Lotufo-Neto e Márcio AntoniniBernik (org.): Pãnico, Fobias e Obsessões.São Paulo: Edusp.
- Skinner, B. F. (1953). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes
- Skinner, B. F. (1981).Seleção por Consequencias. Revista Brasileira e Terapia Comportamental e Cognitiva, 9 
- Zamignani, D. R &Banaco, R. A. (2005). Um Panorama Analítico-Comportamental sobre os Transtornos de Ansiedade. Revista Brasileira e Terapia Comportamental e Cognitiva, 7, 077-09

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O QUE A ANÁLISE DO COMPORTAMENTO TEM A DIZER SOBRE DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS?

As chamadas doenças psicossomáticas são alvo de investigação em diversas abordagens teóricas dentro do campo de conhecimento da Psicologia, bem como de outras áreas, como a medicina. O campo de estudo denominado Psicossomática enfatiza a dicotomia entre mente e corpo, considerando-os como de naturezas diferentes e buscando estudar a influência de um sobre o outro. A Psicossomática compartilha a definição de saúde e doença da Organização Mundial da Saúde (OMS): “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental, social e não apenas a ausência de doença”, considerando, em sua visão de homem integral, o papel das influências biopsicosociais. A partir desta compreensão de homem, as causas das doenças psicossomáticas deveriam ser buscadas na psique, na mente, a qual estaria diretamente influenciando o corpo. A concepção Behaviorista Radical de homem difere da apresentada pela Psicossomática e pelas abordagens tradicionais ao negar o dualismo que atribui à mente e ao corpo naturezas diferentes. O Behaviorismo radical não realiza essa divisão.

Segundo Skinner “uma pequena parte do universo está contida dentro da pele de cada um de nós. Não há razão de ela dever ter uma condição física especial por estar situada dentro desses limites.” (Skinner, 1974, p.23). O que apenas nós mesmos temos acesso não possuiria, portanto, uma estrutura ou natureza especial, e deveria ser examinado, já que é ambiente para muitos de nossos comportamentos. É importante salientar que a concepção de ambiente para a análise do comportamento, muito comumente incompreendida por críticas realizadas a abordagem, abrange qualquer evento do universo capaz de afetar o organismo, sendo ele privado (apenas nós mesmos temos acesso) ou público (acessível a várias pessoas). Indo além, a conhecida frase de Skinner nos ajuda a compreender a concepção de homem e ambiente para o Behaviorismo Radical: "Os homens agem sobre o mundo e o modificam e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação." (Skinner, 1957, p.15).

A relação entre homem e ambiente é vista como uma interação e, de modo algum, o homem é considerado como um ser passivo que apenas sofre as influências de seu meio. A frase de Skinner colocada acima deixa claro como o homem é produto e também produtor de seu próprio ambiente, podendo, até certo ponto, vir a controlar seu próprio comportamento ao alterar as variáveis das quais ele é função (o que é conhecido como auto-controle, e é assunto para outro momento).

Deve-se esclarecer, também, que a análise do comportamento não busca a resposta para a pergunta “por que nos comportamos de determinada forma?” no conjunto corpo-cérebro, já que o cérebro é parte do corpo e o que ele faz também deve ser explicado (Skinner, 1999). A resposta para esta pergunta estaria nas contingências, pois o comportamento do organismo é produto de três tipos de variação e seleção (para mais informações sobre este tópico veja Skinner, 1990).

Colocadas estas considerações, o Behaviorismo Radical compreende que, tanto o que fazemos (nossos comportamentos) como as nossas emoções e sentimentos são produtos das contingências às quais estamos expostos. As doenças psicossomáticas estariam também diretamente relacionadas às contingências, o que explicito mais detalhadamente a seguir. Dores de cabeça e nas costas, alterações gastrointestinais como diarreia, gastrite e úlceras, taquicardia, hipertensão, alterações dermatológicas como psoríase, dermatites, herpes e urticárias entre outras alterações fisiológicas são comumente denominadas doenças psicossomáticas.

Para o senso-comum é provável que frente a uma dessas doenças, que não possuem causas orgânicas identificáveis, lhes seja dito: “Você deve ficar menos estressado”, “Não se preocupe tanto com os problemas”, “Isso é emocional, você tem que relaxar”. No entanto, estas colocações não apenas culpabilizam aquele que sofre de uma doença psicossomática (partindo do pressuposto de que ele poderia, de alguma forma, resolvê-la sozinho), como também não ajudam a encontrar as reais causas da doença, as quais estariam nas contingências.
É importante ressaltar que não é qualquer tipo de contingência que pode culminar em doenças psicossomáticas. São as contingências aversivas presentes constantemente, por um longo período, na vida de um indivíduo que não tem como delas escapar ou até mesmo contra-controlar aquele que as estabelece, que geram as alterações fisiológicas que levam a essas doenças. É possível que uma pessoa não possa escapar das contingências aversivas ou porque não é possível, ou porque não possui o repertório de esquiva necessário. Um bom exemplo é o de uma pessoa que está constantemente a expectativa da punição, a qual pode ser apresentada frente a diversos comportamentos em diversos ambientes (Sidman, 1989). Provavelmente diríamos que ela é uma pessoa ansiosa ou estressada, mas para compreendermos este exemplo é importante saber um pouco mais sobre a punição e levarmos em consideração a interação que ocorre entre comportamento operante e respondente (Thomaz, 2012).

Ao buscar compreender um fenômeno complexo como a ansiedade, devemos, primeiramente, considerá-lo como um episódio emocional no qual ocorre uma interação entre comportamento operante e respondente (Thomaz, 2012). Neste episódio: 1. Poderão ser verificadas respostas respondentes eliciadas de taquicardia, sudorese, respiração acelerada, entre tantas outras; 2. Ocorrerá uma alteração na predisposição para responder (comportamento operante), já que respostas de fuga e esquiva que evitam ou reduzem o contato com a estimulação aversiva tem sua probabilidade de ocorrência aumentada; e 3. A efetividade reforçadora de outros estímulos poderá ser diminuída. Como exemplo, uma pessoa sujeita a contingências aversivas no trabalho, relatará sentir-se ansiosa neste ambiente e 1. Perceberá alterações em seu corpo; 2. Fará o possível para se afastar do ambiente do trabalho, faltando ou realizando outras atividades durante o experiente; e 3. Reforçadores positivos como sair com os amigos ou um apreciar um bom jantar terão a sua efetividade reduzida. A ansiedade, portanto, não se restringe apenas aquilo que a pessoa sente, mas também engloba as alterações no repertório total do indivíduo (Thomaz, 2012). (Para saber mais sobre como a Análise do Comportamento compreende respostas emocionais e a interação respondente e operante, veja Darwich e Tourinho, 2005).

Voltemos agora para a punição, o que nos possibilitará compreender como se instalam as doenças psicossomáticas. Skinner (1953) descreve que devemos definir a punição sem pressupor qualquer efeito. A punição é definida pelo seu procedimento, que pode ocorrer de duas formas: 1. Punição positiva, quando ocorre a apresentação de um estímulo aversivo, em consequência a uma dada resposta do organismo; 2. Punição negativa, quando há a retirada de um estímulo reforçador positivo, após a emissão de uma resposta. Como exemplo de punição positiva: uma criança que recebe um beliscão de um colega, após pegar o seu brinquedo; e de punição negativa: uma criança que, após quebrar um objeto de sua casa, tem o seu videogame (reforçador positivo) retirado por seus pais.

No entanto, apesar de não ser definida pelos seus efeitos, a punição resulta para o organismo em três efeitos colaterais muitíssimo danosos, os quais descreverei brevemente. O primeiro efeito se refere a supressão temporária da resposta que é punida, dada a eliciação de respostas emocionais incompatíveis que competem, temporariamente, com a emissão da resposta indesejada. Por respostas emocionais me refiro a mudanças reflexas no corpo (por exemplo, o aumento de batimentos cardíacos, descarga de adrenalina, liberação de suco gástrico, entre outros) e a alterações nas probabilidades de resposta. Aqui, o comportamento punido não é observado no organismo, pois outras respostas estão sendo eliciadas em seu repertório, respostas estas que cessam se a estimulação aversiva for descontinuada. A criança que recebeu uma bronca enfática dos pais, apenas para de emitir o comportamento que seria indesejável temporariamente devido a estas respostas eliciadas. Quando a bronca não mais estiver presente, é provável que ela volte a emitir o comportamento indesejado se este for reforçado. (Um livro infantil que retrata bem este efeito chama-se Mamãe Zangada de Jutta Bauer, 2008).

O segundo efeito descrito por Skinner está relacionado à produção de estímulos aversivos condicionados e parece ser o mais importante para compreender as doenças psicossomáticas. Quando uma resposta é punida, todos os estímulos outros que estavam presentes no momento da punição, bem como a pessoa que pune, tornam-se estímulos aversivos condicionados e passam a eliciar as mesmas reações descritas no primeiro efeito. Se no trabalho o seu chefe critica constantemente o seu trabalho de forma inesperada e constante, humilha-o frente aos seus colegas ou lhe apresenta um problema que você não possui um repertório para resolver e critica em seguida o seu desempenho, não apenas o seu chefe se torna um aversivo condicionado, mas também todo o ambiente de trabalho, a rua que leva ao trabalho, o material e o e-mail que lá você utiliza, aquela reunião que ocorre toda semana e que provavelmente lhe remete a problemas, bem como diversos outros estímulos que podem estar presentes no momento da punição. Como muito bem colocou Sidman (1989), aquele que fornece o choque se torna, ele mesmo, um choque.

A situação é ainda agravada pelo fato de que a própria resposta punida e qualquer tendência a se comportar nesta direção podem também se tornarem aversivos condicionados. Alguém que foi extremamente punido no trabalho, provavelmente sofrerá com as respostas emocionais apenas ao pensar no trabalho ou ao ligar o computador para realizar um relatório (estágios iniciais da resposta que foi punida). São os efeitos colaterais da punição que geralmente levam as pessoas à terapia.

Frente a um ambiente cada vez mais aversivo, as reações corporais descritas (alterações fisiológicas eliciadas) tornam-se constantes e crônicas e passam a prejudicar a saúde do indivíduo. É neste momento que se instala a doença psicossomática, devido às alterações fisiológicas crônicas. Como muitas das variáveis responsáveis por esses padrões emocionais são geradas pelo próprio comportamento do organismo, nenhuma resposta de fuga se apresenta como possível (Skinner, 1953). Assim, por vezes podemos dizer que um estado emocional culmina em um distúrbio médico, como quando uma resposta crônica das glândulas ou músculos lisos produz uma mudança estrutural, como uma úlcera. Porém, esse estado emocional deve ser explicado e tratado ao se compreender as contingências em vigor (Skinner, 1953).
Veja que a análise do comportamento não direciona a causalidade de uma doença psicossomática diretamente ao estresse ou à ansiedade, mas remota às contingências para explicar o funcionamento do organismo, seja nos seus aspectos públicos ou privados (o que ocorre dentro da pele). “Dizer, por exemplo, que a doença física é devida ao estresse não explica a doença e nem como tratá-la, até que o estresse seja ele próprio explicado” (Skinner, 1989, p.113). O estresse ou a ansiedade, a doença psicossomática e os seus comportamentos frente às situações aversivas são todos causados pelas contingências. Como exemplo, se uma pessoa está sob estresse por está sobrecarregada, o que deve ser alterado é a quantidade de atividades que ela tem que desempenhar (Skinner, 1989). Para a Análise do Comportamento não são as emoções, mas as contingências que teríamos que alterar (as circunstancias aversivas responsáveis pelo que estamos sentido).

Por fim, o terceiro efeito da punição descreve como, diante de um evento aversivo, qualquer resposta capaz de promover a remoção ou redução do contato com esta estimulação será reforçada, fortalecendo respostas de fuga e esquiva. Um indivíduo que é constantemente exposto a situações aversivas provavelmente fará qualquer outra coisa que o afaste desta situação (reforçamento negativo: quando a retirada de uma estimulação aversiva aumenta a probabilidade da resposta). Devemos nos atentar as nossas próprias vidas e avaliar se a maioria das atividades que desempenhamos é mantida por reforçamento negativo ou reforçamento positivo.

Se estamos constantemente tentando nos livrar de problemas e de situações degradáveis e o sentimento mais presente em nosso dia-a-dia é o alívio, é possível que um dia venhamos a desenvolver uma doença psicossomática. Explicado de outra forma, se vivemos em um mundo repleto de contingências aversivas, fugimos e nos esquivamos constantemente. Quando somos bem sucedidos em fugir ou esquivar, sentimos o que é comumente denominado alívio. O alívio indica, portanto, a presença de contingências aversivas, as quais culminam em alterações fisiológicas danosas ao nosso corpo (conforme descrito acima ao explicitar os três efeitos colaterais da punição). Essas alterações, se presentes de forma crônica, dão origem as chamadas doenças psicossomáticas.

Isto posto, contingências aversivas estão, na maioria dos casos, diretamente relacionadas com as chamadas doenças psicossomáticas. É preciso que nos empenhemos em construir um mundo no qual estas contingências sejam atenuadas, dando espaço a atividades que gostamos e que nos dão prazer (contingências de reforçamento positivo), se pretendemos diminuir a incidência de doenças psicossomáticas.



REFERÊNCIAS

Bauer, Juttta (2008). Mamãe zangada. São Paulo: Cosac Naify

Darwich, R. A., Tourinho, E. Z. (2005). Respostas emocionais à luz do modo causal de seleção por consequências. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, vol. VII, nº1, p.107-118.

Sidman, M. (1989/2009). Coerção e suas implicações. Campinas, São Paulo: Ed. Livro Pleno.

Skinner, B. F. (1953/2003). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes.

Skinner, B. F. (1957/1978). O Comportamento Verbal. São Paulo: Cultrix: Ed. da Universidade de São Paulo.

Skinner, B. F. (1974/2006). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix.

Skinner, B. F. (1989). Questões recentes na Análise do Comportamento. Campinas: Papirus.

Skinner, B. F. (1990). Can psychology be a science of mind? American Psychologist, 45, p.1206-1210.

Thomaz, C. R. C. (2012). Episódios emocionais como interações entre operantes e respondentes. Em: Borges, N. B. e Cassas, F. A. e cols. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: Artmed.