Por Lorena Bandeira
Outro dia estava
assistindo um clipe na televisão de um rapper
americano. A letra dizia basicamente que se deveria trabalhar muito e se
divertir muito. Na mesma hora me questionei acerca do sentido do trabalho e a relação
com o consumismo.
“Diamantes por todo o meu
cérebro, cara
Relógios de ouro, corrente de
ouro, cara
Champanhe de cem dólares, cara
Sim, meu dinheiro é uma loucura,
cara
Sim, estou fazendo a chuva cair,
cara
Mas acabei de sair de um avião,
cara”
Queremos
ganhar na loteria, para não ter de trabalhar e ter todos os prazeres que o
mercado consumista pode fornecer. Saímos felizes para comprar, mas chegamos
ranzinzas para o trabalho. A discussão do consumo recai sempre sobre o ter de
Fromm, a efemeridade de Lipovétsky e a liquidez de Bauman. E no fim das contas
o consumismo não é um ciclo vicioso, como a neurose? O que se questiona é se
hoje o trabalho edifica o homem ou o dinheiro o ergue?


