O AUTOCONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO NA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL: ENFOQUE NA ABORDAGEM SÓCIO-HISTÓRICA.
Por Hudson Eygo
O
texto traz uma reflexão acerca dos principais tópicos apresentados no
livro: Orientação Profissional: A abordagem Sócio-Histórica de Silvio
Bock, frisando especificamente a importância do autoconhecimento e da
informação profissional na hora de o jovem escolher uma profissão.
Hoje,
mais do que nunca, em nossa sociedade, os jovens vivem o grande desafio
da corrida acelerada na busca da autoafirmação profissional com seu
engajamento no mercado de trabalho. Considerando que a profissão
escolhida ocupará dois terços da vida do jovem, uma decisão mecânica e,
muitas vezes, de cunho emotivo, sem analisar a futura profissão de forma
minuciosa, ponderando também questões subjetivas, aumenta a
probabilidade de frustração quanto à carreira e a realização pessoal.
Silvio
Bock alerta para o fato de que a escolha de uma profissão é resultado
de toda a bagagem histórica e cultural do indivíduo. Desde a fase
escolar a criança já faz menção do que almeja ser quando crescer, essa
escolha está pautada em suas relações familiares e sociais, exercendo
influência direta em seu futuro, e na forma como constitui sua
individualidade.
O mercado de trabalho influência a escolha de
uma profissão ao impor vagas que, nem sempre, vem de encontro com a
aquilo que o individuo se identifica realmente. As leis de oferta e
demanda de profissões acabam influenciando decisões de cunho emocional,
visando apenas status social e retorno financeiro. A sociedade, as
mídias televisivas e a família contribuem nessa decisão precipitada,
obrigando o jovem a optar por profissões para as quais não tem nenhuma
aptidão, gerando desgaste, stress e perca de um tempo, que muitas vezes,
poderia ser mais bem empregado na busca pela profissão almejada.
O jovem sempre cria uma imagem idealizada de cada profissão. Sílvio Bock (2002) chama essa imagem idealizada de “Cara”.
A
cara é resultado do contato direto ou não, como já afirmado, que ela
teve com a área do profissional. Esta cara não é verdadeira nem falsa,
não é nem mais próxima nem mais distante da realidade, não é correta ou
incorreta, é simplesmente uma cara que deve ser trabalhada. As pessoas
se identificam ou não com essas caras. É interessante perceber que essas
caras são constituídas na interiorização e singularizarão do
vivido, por isso são diferentes para cada pessoa. (BOCK, Orientação
Profissional: A abordagem Sócio-Histórica, 2002, p. 81).
A
escolha profissional sempre remete a condição social do individuo, e
serve como subsidio para reforçar no jovem sua identidade e posição
social.
Para Sílvio Bock (2002), A Orientação Profissional, nesse
contexto de escolha profissional, pretende proporcionar ao sujeito,
meios de se autoconhecer, pois, segundo ele, só desta forma o jovem terá
ferramentas necessárias para buscar uma profissão numa área com a qual
se identifica, seja ela: humanas, exatas ou biológicas. Vale ressaltar
que, por mais lógica e racional que seja a escolha profissional, não se
pode afirmar que ela seja totalmente correta ou errada. No meio do
percurso o indivíduo pode mudar de ideia, e descobrir uma nova profissão
com a qual se identifica, surge nesse momento uma nova indagação:
Mudar
ou não de profissão?
A Orientação Profissional apenas diminui a
probabilidade de uma frustração, proporcionando ao individuo meios para
escolher de forma coesa a profissão com a qual mais se identifica, e sem
ignorar informações relevantes a respeito dela, tais como retorno:
financeiro, ofertas de vaga no mercado de trabalho, realização pessoal,
etc. A esse respeito, Sílvio Bock (2002), afirma que: “A melhor escolha
profissional é aquela que consegue dar conta do maior número de
determinações para, a partir delas, construir esboços de projeto de vida
profissional e pessoal”.
O autoconhecimento e a informação
profissional, portanto, usados como método de prática da Orientação
Vocacional, têm como objetivo auxiliar o sujeito quanto à escolha de uma
profissão. Pois o mais importante não é apenas escolher uma profissão
lucrativa, ou em uma área que se tenha afinidade. O casamento das duas
alternativas é que proporcionará ao individuo melhor oportunidade de
sucesso. Para Silvio Bock (2002), a escolha profissional é sempre um ato
de coragem.
BOCK, Sílvio Duarte. Orientação profissional: a abordagem sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2002.


