E A VIOLÊNCIA DA VERDADE; DESVENDANDO COMPLEXIDADES
Por Alianna Cardoso[1]
RESUMO: O presente estudo intui elaborar um esboço acerca da
história da violência na humanidade, perfazendo seu traçado histórico para
desvendar as causas que desencadeiam os atos violentos, desvendando suas
complexidades. Após a contextualização do tema, serão abordadas as
possibilidades de solução para esse problema.
PALAVRAS CHAVE: história da violência; causas; soluções
"Não existe uma definição consensual ou incontroversa de
violência. O termo é potente demais para que isso seja possível."
Anthony Asblaster
INTRODUÇÃO
Discutir violência nos dias de hoje, deixa de ser um
debate filosófico para se tornar uma discussão real sobre algo que vem fazendo
parte de nossas vidas e tem caído na banalização. A violência está nas ruas,
por vezes está em casa. A violência está nas conversas informais, está nos
telejornais, está nos filmes e vídeos. A violência se tornou parte do nosso
cotidiano como uma rotina sanguinária e massacrante que nos tornou vítimas de
nós mesmos.
Por todos os lados vemos a violência mostrando suas
várias faces, fazendo crescer o número de ocorrências nas delegacias, o número
de óbitos de inocentes e principalmente a quantidade de notícias para os
jornais sensacionalistas que fazem ibope com o flagelo da sociedade
contemporânea.
O que se intui com este estudo, é tentar desvendar
os fatores que estão intimamente ligados com a violência, construindo um
traçado histórico da violência desde os primórdios da humanidade, para indicar
que tal flagelo existe desde o nascimento da sociedade e vem cada vez mais
crescendo e tomando a vida das pessoas.
Discutiremos, sobretudo, a violência contemporânea
como conseqüência das diversas falências existentes na sociedade atual,
evidenciando as supostas razões que levam os indivíduos a cometer atos de
violência, e que segregam ainda mais a população.Debateremos ainda, as
possíveis soluções para esse problema, se é que elas existem.
METODOLOGIA
Iniciaremos o estudo conceituando violência por
diversos pontos de vista. Ressalte-se, sobretudo, que o tema “violência"
será abordado sobre a temática da agressão física.
Sobre outro prisma, foram realizadas pesquisas
bibliográficas para que fosse desvendada essa relação “sociedade contemporânea
versus violência”, com o intuito de que fosse possível identificar quais
fatores podem ser os desencadeadores da malha violenta do mundo globalizado,
analisando, sobretudo, o contexto histórico do assunto.
RESULTADOS
E DISCUSSÃO
De acordo com Flávia Schilling:
“Violência
significa, então: 1. Tudo o que age usando a força para ir contra a natureza de
algum ser (é desnaturar); 2. Todo ato de força contra a espontaneidade, a
vontade e a liberdade de alguém (é coagir, constranger, torturar, brutalizar);
3. Todo ato de violação da natureza de alguém ou de alguma coisa valorizada
positivamente por uma sociedade (é violar); 4. Todo ato de transgressão contra
alguém ou uma sociedade define como justo e como um direito.”
Pode-se, destarte, entender Violência como o comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto.
Por meio da violência, nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e
mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou
esperado.
Existe
violência explícita quando há ruptura de normas impostas pela sociedade ou da
moral social estabelecidas a esse respeito: não é um conceito absoluto,
variando entre sociedades. Entretanto existem diversas formas de se aplicar a
violência implicitamente.Aqui abordaremos a violência física principalmente,
sem deixar de citar por vezes as outras formas de violência existentes.
HISTÓRIA DA VIOLÊNCIA
A violência é uma realidade milenar. Ao longo
dos milênios, circula amplamente pela sociedade, abrangendo todas as Idades:
Antiga, a Idade Média, Moderna e Contemporânea. Em todas elas, houve barbáries
de alguma forma e sob vários aspectos e segmentos. Ela não se limita a uma só
classe social, no entanto é mais evidenciada nas camadas populares onde o poder
aquisitivo é muito baixo e as condições de vida são precárias.
Como exemplo de violência, citamos o livro da Bíblia
(Velho Testamento, principalmente) repleto de lutas e guerras travadas pela
busca do poder religioso e da supremacia sobre povos e nações. O próprio Jesus
Cristo (Novo Testamento) foi vítima da violência humana, e ainda, podemos citar
Caim e Abel.
Caim é um personagem do
Antigo Testamento da Bíblia, sendo o filho primogênito de Adão e Eva. Era um
lavrador. Abel, seu irmão mais novo era pastor de ovelhas.Em determinada
ocasião, Caim e o seu irmão mais novo Abel apresentaram ofertas a Deus. Caim
apresentou frutas do solo e Abel ofereceu primícias do seu rebanho[2]. A
oferta de Abel teria agradado a Deus, enquanto que a de Caim não. Possuído por
ciúmes, Caim armou uma emboscada para seu irmão, sugerindo a Abel que ambos
fossem ao campo e, lá chegando, Caim matou seu irmão; este teria sido o
primeiro homicídio da história da humanidade.Após a consumação do homicídio,
descrito no capítulo – O rompimento da fraternidade do livro de Gênesis, a
Bíblia dispõe em sequência – Progresso e Violência,onde o bisneto do filho de
Caim, Lamec, incita: “ Se a vingança de
Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete.”, demonstrando o
crescimento progressivo da primeira violência lançada na sociedade.Ainda de
acordo com a Bíblia, temos que “ a
civilização nasce de Caim: auto-suficiência e violência se multiplicam cada vez
mais, gerando uma sociedade fundada na hostilidade e na competição.”
Ulisses
Capozolli indica Konrad Lorentz, citado pelo antropólogo Richard Leakey, em “As Origens do Homem”, ondeindica haver
provas de que os inventores dos primeiros utensílios de pedra - os
australopitecinos africanos - utilizaram prontamente suas armas não só para
matar animais, mas também membros da própria espécie. O Homem de Pequin, o
Prometeu que aprendeu a conquistar o fogo, também fez uso deste conhecimento
para cozinhar seus irmãos: junto com os primeiros indícios do uso regular do
fogo estão os ossos mutilados e assados do próprio Sinanthropuspekinensis.
De acordo
com Capozolli, quando o fogo apareceu também foi usado na guerra onde ainda
hoje causa destruição. O fogo foi manipulado física e quimicamente para
produzir resultados cada vez mais letais. O fogo das bombas atiradas pela
fortalezas voadoras pode destruir cidades inteiras, mas o fogo nuclear é ainda
mais poderoso. No Japão, sobre Hiroshima e Nagasaki, vaporizou o corpo de
pessoas, como um pequeno sol queimando próximo.
Pois bem, as revoluções armamentistas do mundo
capitalista, os holocaustos sofridos pelos judeus e pelos negros, as duas
grandes guerras mundiais, as colonizações de exploração, as cruzadas etc., são
bons exemplos de como a violência é um marco na história dos povos.
CAUSAS DA VIOLÊNCIA
Durante os
recentes estudos sobre as causas que levam a tamanha incidência da violência no
mundo pós-contemporâneo globalizado, diversas foram as suposições suscitadas,
entretanto, a ciência hoje conclui
que a “violência” é determinada pela complexa combinação entre fatores externos
e características inatas do ser humano, aqui analisaremos apenas os fatores
sociais.
Como
conseqüência dessa exigência capitalista de inserção consumista na sociedade, emerge
um redemoinho de descontentamentos expresso pela violência: desemprego,
desestruturação familiar, consumo de drogas, corrupção e perda de auto-estima.
Claro está que essa é uma forma de expressão contemporânea da violência. O
caminho que a agressividade, não sublimada pelo bem-estar, encontrou para
manifestar-se.
De acordo com
o Dr. Dráuzio Varella, as principais causas sociais da violência urbana
são:desigualdade econômica;uso de armas;crack; quebra dos laços familiares e o
encarceramento e seus índices.
CONCLUSÕES
Hoje, a violência, que antes estava presente nas grandes cidades,
espalha-se para cidades menores, à medida que o crime organizado procura novos
espaços. Além das dificuldades das instituições de segurança pública em conter
o processo de interiorização da violência, a degradação urbana contribui
decisivamente para ele, já que a pobreza, a desigualdade social, o baixo acesso
popular à justiça não são mais problemas exclusivos das grandes metrópoles. Na
última década, a violência tem estado presente em nosso dia-a-dia, no
noticiário e em conversas com amigos. Todos conhecem alguém que sofreu algum
tipo de violência. Há diferenças na visão das causas e de como superá-las, mas
a maioria dos especialistas no assunto afirma que a violência urbana é algo
evitável, desde que políticas de segurança pública e social sejam colocadas em
ação. É preciso atuar de maneira eficaz tanto em suas causas primárias quanto
em seus efeitos. É preciso aliar políticas sociais que reduzam a
vulnerabilidade dos moradores das periferias, sobretudo dos jovens, à repressão
ao crime organizado. Uma tarefa que não é só do Poder Público, mas de toda a
sociedade civil.
Ou ainda, de acordo com Dr. Dráuzio:
“A violência urbana deve ser entendida como doença de causa multifatorial, contagiosa, com aspectos biológicos e sociais que precisam ser estudados cientificamente para podermos desenvolver estratégias seguras de prevenção e tratamento.”
Na verdade não existe um consenso nem para as causas que levam à violência, tampouco para as soluções possíveis para o enfrentamento desse problema.De fato, o que há é um temor geral da população frente a esse problema real, que deve possuir soluções reais. O único consenso existente, é que cada um deve fazer a sua parte, afinal “violência gera violência”.
REFERÊNCIAS
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Ed.
Paulus, 1996
CAPOZOLLI, Ulisses; Guerra e paz
refletem a
natureza dupla do homem; Violência
faces e máscaras; disponível in: http://www.comciencia.br/reportagens/violencia/vio11.htm Acessado em 22/10/2009
SCHILLING, Flávia; Indisciplina,
violência: debates e desafios; Revista Educação, Grandes Temas, Violência e
Indisciplina, n.º 1; Ed. Segmento; p.7
VARELLA, Dráuzio; parte II: Raízes
Sociais da Violência; Dráuzio Varella; Disponível in <http://www.drauziovarella.com.br/artigos/violencia_raizes2.asp> Acessado em
23/10/2009




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