Em seu auge o hospital chegou a abrigar cerca
de 5.000 moradores, os quais chegavam de todos os cantos do Brasil, apinhados em
um trem que parava na frente dos pavilhões. Esse sinistro e terrível veículo
ficou conhecido como “Trem de Doido”.
Do hospital, a maioria
das pessoas não saía nunca mais. Muitos chegavam crianças e nunca mais viam suas
famílias. Para lá, eram enviados meninos considerados pelos pais e professores
como desobedientes; moças que, para a desgraça familiar, tinham perdido a
virgindade ou que engravidavam sem estarem casadas; presos políticos e toda a
sorte de “indesejáveis” na sociedade, dentre os quais também os sifilíticos e os
tuberculosos.
Os internos viviam no hospital em estado de
absoluto abandono. Perambulavam pelos pavilhões nus e descalços e eram forçados
a comer comida crua, servida em cochos e sem talheres.
Para acomodar tanta gente nas instalações do
hospital, as camas eram retiradas e feno era espalhado pelo chão. Tal estratégia
chegou até mesmo a ser recomendada como medida em outros hospitais psiquiátricos
da região. As pessoas dormiam todas juntas, amontoadas no piso do quarto sobre o
feno. Conviviam com ratos, que lhes mordiam, com suas próprias fezes e urina e
morriam às dezenas de diarréia, desnutrição, desidratação e de tantas outras
doenças oportunistas. Estima-se que cerca de 60 mil pessoas morreram nesse
hospital. Eram 60 óbitos por semana, 700 por ano.
Vários ex-internos se referem a um chá que era
freqüentemente servido por volta da meia-noite e “estranhamente”, no dia
seguinte, muitos amanheciam mortos e eram empilhados nos corredores e pátios do
hospital.
Fonte: Centro Cultural da Saúde




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